Lição sobre água
Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas a vapor.
É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, ácidos, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
E ferve a 100, quando à pressão normal.
Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.
António Gedeão
Carta europeia da água
(Proclamada pelo Conselho da Europa, em Estrasburgo, no dia 6 de Maio de 1968)
A Carta Europeia da Água foi proclamada pelo Conselho da Europa em Estrasburgo a 6 de Maio de 1968 e assenta em 12 princípios básicos para uma boa gestão e preservação da água.
I. NÃO HÁ VIDA SEM ÁGUA. A ÁGUA É UM BEM PRECIOSO, INDISPENSÁVEL A TODAS AS ACTIVIDADES HUMANAS.
A água cai da atmosfera, na terra, onde chega principalmente na forma de chuva ou de neve. Ribeiros, rios, lagos, glaciares são grandes vias de escoamento para os oceanos. No seu percurso, a água é retida pelo solo, pela vegetação e pelos animais. Volta à atmosfera principalmente pela evaporação e pela transpiração vegetal. A água é para o homem, para os animais e para as plantas um elemento de primeira necessidade.
Efectivamente, a água constitui dois terços do peso do homem e até nove décimos do peso dos vegetais.
É indispensável ao homem, como bebida e como alimento, para a sua higiene e como fonte de energia, matéria-prima de produção, via de transporte e suporte das actividades recreativas que a vida moderna exige cada vez mais.
II. OS RECURSOS DE ÁGUAS DOCES NÃO SÃO INESGOTÁVEIS, É INDISPENSÁVEL PRESERVÁ-LOS, ADMINISTRÁ-LOS E, SE POSSÍVEL, AUMENTÁ-LOS.
Em consequência da explosão demográfica e do acréscimo rápido das necessidades da agricultura e da indústria modernas, os recursos hídricos são objecto de uma solicitação crescente. Não se conseguirá satisfazê-la nem elevar os padrões de vida, se cada um de nós não aprender a considerar a água como um recurso precioso que deve ser preservado e utilizado racionalmente.
III. ALTERAR A QUALIDADE DA ÁGUA É PREJUDICAR A VIDA DO HOMEM E DOS OUTROS SERES VIVOS QUE DEPENDEM DELA.
A água na natureza é um meio vivo, portador de organismos benéficos que contribuem para manter a sua qualidade. Poluindo a água corre-se o risco de destruir esses organismos, desorganizando assim o processo de autodepuração e, eventualmente, modificar de forma desfavorável e irreversível o ambiente vivo.
As águas de superfície e as águas subterrâneas devem ser preservadas contra a poluição.
Todo e qualquer decréscimo importante da quantidade ou da qualidade de uma água corrente ou estagnada pode ser nocivo para o homem e para os outros seres vivos.
IV. A QUALIDADE DA ÁGUA DEVE SER MANTIDA A NÍVEIS ADAPTADOS À UTILIZAÇÃO PARA QUE ESTÁ PREVISTA E DEVE, DESIGNADAMENTE, SATISFAZER AS EXIGÊNCIAS DA SAÚDE PÚBLICA.
As normas de qualidade podem variar conforme os tipos de utilização: alimentação, necessidades domésticas, agrícolas e industriais, pesca e actividades recreativas. Todavia, sendo a vida, na sua infinita diversidade, tributária das qualidades múltiplas das águas, deverão ser tomadas disposições para lhes assegurar a conservação das suas prioridades naturais.
V. QUANDO A ÁGUA, DEPOIS DE UTILIZADA, VOLTA AO MEIO NATURAL, NÃO DEVE COMPROMETER AS UTILIZAÇÕES ULTERIORES QUE DELA SE FARÃO , QUER PÚBLICAS QUER PRIVADAS.
A poluição é uma alteração, geralmente provocada pelo homem, da qualidade da água, que a torna imprópria ou perigosa para o consumo humano, para a indústria, agricultura, pesca e actividades recreativas, para os animais domésticos e para a vida selvagem.
O lançamento de resíduos ou de águas utilizadas que provoquem poluições de ordem física, química, orgânica, térmica ou radioactiva não deve pôr em perigo a saúde pública e deve ter em conta a aptidão das águas para os assimilar (por diluição ou auto-depuração). Os aspectos sociais e económicos dos métodos de tratamento das águas revestem grande importância.
VI. A MANUTENÇÃO DE UMA COBERTURA VEGETAL ADEQUADA, DE PREFERÊNCIA FLORESTAL. É ESSENCIAL PARA A CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS.
É necessário manter a cobertura vegetal, de preferência florestal; sempre que essa cobertura desapareça deve ser reconstituída o mais rapidamente possível.
Salvaguardar a floresta é um factor de grande importância para a estabilização das bacias de drenagem e do respectivo regime hidrológico. As florestas são, de resto, úteis não só pelo seu valor económico mas também como lugares de recreio.
VII. OS RECURSOS AQUIFEROS DEVEM SER INVENTARIADOS.
A água doce utilizável representa menos de um por cento da quantidade de água do nosso planeta e está repartida muito desigualmente.
É indispensável conhecer os recursos hídricos superficiais e subterrâneos, tendo em conta o ciclo da água, a sua qualidade e a sua utilização.
Entende-se por inventário a prospecção e a avaliação quantitativa dos recursos aquíferos.
VIII. A BOA GESTÃO DA ÁGUA DEVE SER OBJECTO DE UM PLANO PROMULGADO PELAS AUTORIDADES COMPETENTES.
A água é um recurso precioso que necessita de uma gestão racional segundo um plano que concilie ao mesmo tempo as necessidades a curto e a longo prazos.
Impõe-se, pois, uma verdadeira politica no domínio dos recursos hídricos, que implica numerosos ordenamentos com vista à sua conservação, regularização e distribuição. Além disso, a conservação da qualidade e da quantidade da água exige o desenvolvimento e aperfeiçoamento das técnicas de utilização, de reciclagem e de depuração.
IX. A SALVAGUARDA DA ÁGUA IMPLICA UM ESFORÇO CRESCENTE DE INVESTIGAÇÃO, DE FORMAÇÃO DE ESPECIALISTAS E DE INFORMAÇÃO PÚBLICA.
A investigação sobre a água, e especialmente sobre a água já utilizada, deve ser encorajada ao máximo. Os meios de informação devem ser ampliados e o intercâmbio internacional facilitados, ao mesmo tempo que se impõe a formação técnica e biológica de pessoal qualificado para as diferentes disciplinas que interessam.
X. A ÁGUA É UM PATRIMÓNIO COMUM, CUJO VALOR DEVE SER RECONHECIDO POR TODOS. CADA UM TEM O DEVER DE ECONOMIZAR E DE A UTILIZAR CO CUIDADO.
Cada individuo é um consumidor e um utilizador da água. Como tal, é responsável perante os outros. Utilizar a água inconsideradamente é abusar do património natural.
XI. A GESTÃO DOS RECURSOS HIDRICOS DEVE INSCREVER-SE NO QUADRO DA BACIA NATURAL, DE PREFERÊNCIA A SER INSERIDA NO DAS FRONTEIRAS ADMINISTRATIVAS E POLÍTICAS.
As águas que correm à superfície seguem os maiores declives e convergem para formar cursos de água. Um rio com os seus afluentes pode comparar-se a uma árvore extremamente ramificada que serve um território chamado bacia.
Deve ter-se em conta o facto de que, nos limites de uma bacia, todas as utilizações das águas de superfície e das águas subterrâneas são interdependentes e que, portanto, é desejável que também o seja a sua gestão.
XII. A ÁGUA NÃO TEM FRONTEIRAS É UM RECURSO COMUM QUE NECESSITA DE UMA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL.
Os problemas internacionais que as utilizações de água podem suscitar devem ser resolvidos de comum acordo entre os Estados, com o fim de salvaguardar a água, tanto em qualidade como em quantidade.
Declaração Universal dos Direitos da Água
Com o intuito de preservar a água e toda a vida que depende desta, a ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de Março de 1992 instituiu o “Dia Mundial da Água” publicando um documento intitulado “Declaração Universal dos Direitos da Água”.
1. A água faz parte do património do planeta. Cada continente, cada povo, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.
2. A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo o ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Artº 30º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo a água deve ser utilizada com racionalidade, preocupação e parcimónia.
4. O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e dos seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente, para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos por onde os ciclos começam.
5. A água não é somente uma herança dos nossos predecessores, ela é sobretudo um empréstimo aos nossos sucessores. A sua protecção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do Homem para as gerações presentes e futuras.
6. A água não é uma doação gratuita da natureza, tem um valor económico: é preciso saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.
7. A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, a sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento, para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração de qualidade das reservas actualmente disponíveis.
8. A utilização da água implica o respeito da lei. A sua protecção constitui uma obrigação jurídica para todo o homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo Homem nem pelo Estado.
9. a questão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos da sua protecção e as necessidades de ordem económica, sanitária e social.
10. O planeamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em função da sua distribuição desigual sobre a Terra.
1 - Água: A preciosidade da vida
A água é um recurso natural, único, essencial à vida e cada vez mais escasso. A sua distribuição na Terra é irregular e em virtude desta desigualdade, da falta de sistemas de gestão de abastecimento e de saneamento básico bem como de usos insustentáveis, agrava-se ainda mais essa escassez no mundo, onde se calcula que todos os anos morrem cerca de 10 milhões de pessoas com problemas directamente relacionados com a água.
“É necessário ajudar, para tal vamos poupar!”
“Poupe Hoje para ter Amanhã”
2 - Poupar água: um passo para a sustentabilidade.
Numa década em que sustentabilidade se tornou palavra-chave em quase todas as áreas de carisma Ambiental, onde obviamente a temática da água não é excepção, nunca é demais relembrar que esta sustentabilidade só é possível se racionalizarmos o que a natureza nos dá, e neste caso mais especifico a água.
O cerne da problemática da escassez de água potável, não é somente o facto desta ocupar apenas 1% da água total do planeta, mas principalmente a má gestão que fazemos desta preciosidade a que muitos já chamam de “ouro azul”.
Sendo a água potável um bem tão escasso e tão importante ao mesmo tempo, é um dever de todos nós contribuirmos para que amanhã não tenhamos que fazer perguntas tais como “ Será que hoje vou poder tomar banho?” ou ainda mais grave “ Será que hoje vou poder beber água?”.
2.1 Como posso contribuir?
Nada do que se possa dizer é mais sábio do que a velha máxima “no poupar é que está o ganho…”, pois além de estar a contribuir na luta contra a escassez de água está também a diminuir as suas despesas no final do mês.
2.2 Dicas para poupar água
Para poupar água evite ao máximo os gastos inúteis, gaste apenas o estritamente necessário. Colabore connosco e vai ver que não se vai arrepender.
a) Casa de banho
Evite os banho de imersão, pois gasta 3 vezes mais água do que num duche de 5 minutos.
Seja rápido a tomar duche e não se esqueça de desligar a água enquanto se ensaboa.
Feche a torneira enquanto esfrega os dentes ou se barbeia, assim poupará até 30 Litros de água.
Certifique-se sempre que após a sua utilização as torneiras não ficaram a pingar, pois uma fuga de uma gota por segundo gasta 46 L de água por dia.
Utilize o autoclismo só quando necessário. Cada descarga gasta entre 6 a 10 L de água.
Ajuste o seu autoclismo para o volume de descarga mínimo e se tal não for possível, coloque uma garrafa de plástico cheia dentro do autoclismo.
b) Cozinha
Na compra de electrodomésticos opte por aqueles que gastam menos água e electricidade.
Antes de lavar a loiça que tenha contido gordura limpe-a com papel absorvente, para que depois a lavagem seja mais eficaz com menos água.
Não lave a loiça em água corrente, utilize para tal a bacia do lava loiça ou um alguidar.
Se tiver máquina de lavar loiça ponha-a a lavar só quando tiver carga completa. Em cada lavagem consome entre 25 a 60 L de água.
c) Lavagem da roupa
Utilize somente a máquina de lavar roupa quando esta estiver carga máxima, pois cada lavagem consome entre 60 a 90 L de água.
Quando tem pouca roupa para lavar ou algumas peças isoladas opte por lavá-las à mão e reutilize a água limpa dos enxaguamentos por exemplo para lavar o chão ou o carro.
e) Rega
A rega deve ser feita de manhã cedo ou à noite para evitar a evaporação.
Evite regar plantas sem necessidade.
Se for possível utilize água de poços, furos ou ribeiros para regar.
f) Lavagem do automóvel
Lave o carro apenas quando for estritamente necessário e de preferência a balde.
Em alternativa à lavagem de mangueira pode lavar o seu carro onde a quantidade de água é controlada.
3 - Simulador de consumo de água
Se tiver curiosidade em saber qual o seu perfil de consumo, agora já existe um simulador. Basta clicar http://www.epal.pt/Epal/FormSimulacao.aspx?area=293&menu=346 preencher as perguntas e aguardar o resultado.
4 - Ciclo urbano da água
http://www.vimagua.pt/portal.php?area=ciclourbano (vimágua)
http://www.adp.pt/frontend/portugues/section.asp?ids=1&ida=13 (Águas de Portugal)
http://www.simlis.pt/ciclourbano.htm (SIMLIS)
5 - Ciclo da água
http://www.vimagua.pt/portal.php?area=ciclodaagua (Vimágua)
http://mundodaagua.com/html/ciclo.php (Mundo da água - história da gotinha de água)
http://www.simlis.pt/ciclohidro.htm (SIMLIS)
6 - Jogos didácticos
http://www.vimagua.pt/portal.php?area=jogos (Vimágua)
http://www.simlis.pt/jogos.htm (SIMLIS)
7 - Teste Ambientudo /Poupar água
http://ambientudo.no.sapo.pt/ambientestes.htm
http://www.confagri.pt/Ambiente/AreasTematicas/Agua/Documentos/doc90.htm (confagri)
8 - Links úteis:
www.inag.pt
www.epal.pt
www.museudaagua.epal.pt
www.adp.pt
www.portaldaagua.com
9 - Sabia que…
Um Homem pode passar 30 dias sem alimento, mas somente 4 dias sem água?
O teor de água no corpo de um adulto é de cerca de 60%?
O consumo de água em Portugal por habitante é em média de 160L/dia, no Continente Africano de 10 a 15 L/dia/habitante e em Nova Iorque chega a ser de 2000 L/dia/habitante?
Sabia que 4 em cada dez pessoas no mundo vivem em zonas onde a água escasseia?